Uma das cartas mais “cobiçadas”
do Tarô, o Mundo - Carta /Arcano de número
21 - normalmente traz em sua simbologia um aspecto de elevação,
abertura, suavidade e felicidade. O que as pessoas às
vezes esquecem, é que por ser a última carta
numerada do Tarô, o Mundo traz em si um conteúdo
de muita evolução e ao mesmo tempo um extremo
desprendimento, peculiares aos momentos que representam
o fim de um ciclo e preparação para um novo
começo.
É comum as pessoas ficarem empolgadas com o surgimento
desta carta num jogo, pois, teoricamente, ela traz boas
notícias. Porém, se trata de um Arcano absolutamente
evolutivo e elevado, naturalmente carrega em si incumbências
sérias e profundas ao mesmo tempo. Para quem se encontra
representado por esta carta, o sofrimento não existe
– apenas uma sensação de consciência
(impressionante) que a faz realizar o que for preciso para
crescer na vida, melhorar seu padrão, evoluir seu
universo e também o seu dia a dia.
Mas lidar com esse período é um pouco mais
complexo. Podemos analisar isso quando conhecemos alguém
que está vivenciando essas características.
A pessoa fica mais consciente, desapegada, em constante
transformação – externa e interna –
que gera a sensação (e o receio) do desconhecido
em quem a observa. Normalmente, percebemos nesse estágio
que os sentimentos existem, mas, se for preciso continuamos
nossa vida perfeitamente sem termos que materializá-los.
O mesmo ocorre com os pensamentos, que ficam mais claros
e íntegros, provocando em nós o desejo (real)
de crescermos e sabermos que nem todas as pessoas poderão
nos acompanhar. Entendemos, também, que a matéria
pode ser mudada, pode ser melhorada e aprendemos a nos desapegar
de objetos, situações e (até) pessoas
para que todos sejam mais felizes. Todo esse processo, naturalmente,
acaba elevando nosso espírito e nos preparando para
um futuro recomeço, mais leves e prontos para o que
ainda precisamos aprender.
É por esse motivo que a carta traz tanta evolução
e ao mesmo tempo complexidade – pois a integridade
não mora na estagnação - e, lidar com
esse processo nem sempre é agradável (principalmente
para quem não está no mesmo estágio).
É possível, obviamente, entender, mas nem
por isso se torna fácil.
Por isso um conceito acaba virando fato: o processo de crescimento
não dói em quem cresce, mas sim nas pessoas
que estão vendo o crescimento do outro. A dor, para
nós, se dá quando relutamos com a evolução,
porém uma vez dentro dela, sofre quem vê do
lado de fora. E o mais interessante é que a pessoa
que evolui sabe disso, apesar de ter a consciência
de que não pode (e nem deve) parar o seu momento
para acalentar o medo da perda nas pessoas. Isso não
as ajudaria verdadeiramente.
Viver esse degrau não é somente uma arte,
mas um dos aprendizados mais belos. Porém, ao contrário
do que se imagina, não ocorre magicamente de um dia
pro outro… requer muita consciência, preparação
e principalmente entendimento aliados à integridade.
Essa combinação gera a totalidade do ser humano,
que em breve, será também abandonada para
possibilitar a vivência de um novo ciclo, um novo
e inusitado (re) começo.
Por Kelma Mazziero
(Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American
Tarot Association; CRT 31440
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