A busca pela “normalidade”
se tornou uma obsessão com o passar dos anos. Ao
mesmo tempo, a necessidade de ser diferente persegue aqueles
que não suportam as regras pré estabelecidas.
Algumas pessoas afirmam que a culpa é da sociedade,
outras responsabilizam os padrões vigentes da comunidade
ou dogmas religiosos… seja lá o que for , o
fato é que mesmo aqueles que se dizem “diferentes”
muitas vezes não ousam chegar nem perto de seus limites
enquanto seres humanos, disfarçando pequenos vícios
com ar irreverente para chamar um pouco mais de atenção
alheia.
Nada do que se considere “normal” ou “anormal”
faz sentido , se for visto pelo ângulo errado. Se
usamos como parâmetro as próprias exigências
que condenamos, dificilmente conseguiremos mostrar nossa
diferença ou mesmo provar que somos tão especiais
o quanto pensamos e desejamos acreditar. Essas coisas ocorrem
naturalmente. Quanto mais natural formos, mais próximos
estaremos da alegria, sem nos preocuparmos com o destaque
, mas sim , com a satisfação pessoal e a auto
realização.
Cada um tem sua maneira de ver as coisas : seus hábitos,
desejos, vontades e / ou necessidades. E não cabe
a ninguém estabelecer julgamento quanto `a isso ,
visto que é justamente esse ato de rotular que acaba
por sufocar a expressão criativa e natural de cada
um de nós. Portanto, para estarmos de bem com a vida
e termos a coragem real de mudar e sermos verdadeiros precisamos,
antes de mais nada , do desprendimento.
Mas aí surgem as velhas perguntas : E minhas responsabilidades?
E meu compromisso? E minha obrigação? A resposta
está apenas e somente em você mesmo. É
a responsabilidade para com sua vida que mais importa. Basear
o interno pela forma externa é um grande e infeliz
equívoco. Tentar mostrar que se é especial
não traz felicidade, pois o tão almejado reconhecimento
é a consequência do respeito que você
tem por si mesmo.
Se temos muito a perder, dificilmente nos desprenderemos
no momento certo … assim fica complicado demais evoluir
e crescer na vida. Nada garante que o “seguro”
faz bem. Garantia não é sinônimo de
segurança. Nos momentos mais delicados de vida é
que precisamos dar o passo que representa coragem, liberdade,
independência – essas características
nos levam ao desprendimento.
Ser irreverente não é fazer o contrário
do que a maioria faz. Ser responsável não
é deixar de viver com alegria e soltura. Desprender-se
não é abandonar a vida prática. Mais
do que tudo isso, admitir sua vontade e lidar com sua própria
natureza é que faz do indivíduo uma expressão
única, distinta, personalizada e feliz.
Normal, estranho, excêntrico, diferente, comum…
seja o rótulo que lhe for dado, jamais se aproximará
da maravilhosa complexidade que cada um carrega, sente e
vive. Isso sim , importa. Para você, não para
os outros, pois eles acabarão por conviver com o
que você tiver a oferecer.
Fernando Pessoa descreveu esse exercício
da liberdade ao decretar:
“ Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
( Baseado no Arcano Sem Número, O Louco).
Por Kelma Mazziero
(Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American
Tarot Association; CRT 31440
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