Artigo Tarô | Escrito por Kelma Mazziero
Arcanos Menores - Paus: Simbolismo da Consciência

Esse naipe vem sempre relacionado à espiritualidade na maioria dos materiais disponíveis. Vale esclarecer um pouco desse tema a fim de facilitar o entendimento. Quando falamos sobre espiritualidade nos remetemos à prática espiritual e nem sempre isso confere com o tópico abordado. É possível (e totalmente viável) estarmos em sintonia com nossa espiritualidade e não precisarmos praticá-la usando segmentos religiosos ou crenças, pois isso está ligado ao dogma/sistema e não necessariamente ao que acreditamos interiormente. Praticar a fé é uma opção (que naturalmente deve ser respeitada) mas confundir os assuntos pode ser desvantajoso para qualquer pessoa. O que ocorre frequentemente é buscarmos nos conectar a nossa fé ou espiritualidade através de alguma prática, mas isso não deve ser obrigatório.

Saber sobre sua vida, compreender sua Missão, ter consciência do propósito que religa o ser humano a sua existência é a verdadeira espiritualidade, por isso, muitas pessoas obtém esse equilíbrio sem necessariamente praticá-lo externamente. Se o fazem,através de algum segmento que possibilite a potencialização disso é uma decisão pessoal e intransferível - impossibilitando qualquer julgamento - já que não há como sabê-lo no lugar de nosso semelhante.

Paus está, realmente, ligado ao espírito, mas aborda tudo o que diz respeito a esse assunto: maturidade, consciência, equilíbrio, respeito pelos demais, consciência coletiva. Não há a necessidade de separarmos esse naipe para jogar Tarô em assuntos espirituais (como dito em outros artigos de Arcanos Menores) por uma questão óbvia:esses aspectos devem estar relacionados a tudo o que se faz, pensa, sente e vive.

Trabalhar sem propósito (por mais status que se tenha), usar o dinheiro de forma mesquinha, se relacionar autoritariamente, priorizar a vaidade e ego perante os demais, usar de interesses sem ética em qualquer aspecto da vida implica em perda da própria espiritualidade. Não importa se uma pessoa está ganhando muito ou obtendo regalias sobre as demais, mas sim, o quanto de sua conexão está sendo desviada cada vez para mais longe de sua tarefa e papel diante da vida.

Os obstáculos, impedimentos, dificuldades e desafios - no naipe de paus - tendem a ser mais recompensadores, pois estão alinhados com sua consciência coletiva e com a visão de desempenho naquele tema abordado. Trabalhar, ganhar, perder, casar e todos os assuntos cotidianos podem se tornar equilibrados e harmonizados em paus, buscando uma verdadeira conexão com esse Universo interior ligado ao exterior.

Por isso não há a necessidade de ficar reticente quanto a esse naipe, justamente porque ele pode (e deve) estar presente em todos os assuntos. Ele não trata unicamente da sua vida espiritual no que se refere à prática ou tipo de religião a qual pertence. É comum observarmos pessoas assíduas numa prática religiosa as quais não existe a menor ética ou mesmo respeito pelo semelhante, ou ainda, conhecer pessoas que nunca se interessaram por um segmento, religião e se dizem céticos estarem em plena sintonia e apresentarem uma conexão quase perfeita com o coletivo.

O mais importante é saber que paus se faz essencial na vida de todos, independente da maneira que ele se manifeste. Seja praticante, cético, cientista, ocultista, esotérico ou curioso, o que realmente vale é estar onde estiver de coração e consciência plena, atrelada ao sentido de tudo e experimentando a conexão e sintonia de seu propósito com a sua vida.

Por Kelma Mazziero (Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American Tarot Association; CRT 31440