Os Arcanos Menores representam
uma das partes das cartas do Tarô. De 78 cartas, os
Arcanos Menores são o maior número –
56 ao todo. Interpretar os Arcanos Menores não é
a tarefa mais árdua presente num jogo de Tarô,
porém muita ilusão permeia esse assunto: alguns
confundem essas cartas com as do baralho tradicional utilizado
para jogos lúdicos, outras acreditam ter a mesma
significação das cartas do baralho cigano,
outras ainda confundem com adivinhação em
baralho comum. Separar esses assuntos é complicado,
visto que o Tarô se mistura nessas brumas da cartomancia
e mal se determinou, ainda, seu conteúdo! Quanto
mais sua distinção de outros métodos
oraculares. Cada um tem sua importância, mas são
diferentes, acredite.
Assim como o naipe de copas gera suspiros e romantismo por
ser representado como aspectos sentimentais, vulgarmente
considerado “bons” (mas como visto no artigo
de copas nem sempre se remete ao que imaginamos), espadas
sempre é estigmatizado como um naipe de cartas ruins
ou de azar. Naturalmente, assim como tantos outros assuntos
que cercam o Tarô, esses misticismos estão
absolutamente equivocados. Espadas trata da batalha. Encaixe
nesses termos qualquer ligação com a mesma:
seja batalha em assuntos amorosos, profissionais, financeiros,
familiares… o que não configura, necessariamente,
negatividade.
Cada um luta pelo que acredita, e espadas representa exatamente
esse momento. Se o que acredita é um erro, a carta
dirá. Se o que acredita é favorável
o mesmo ocorrerá. O problema não está
em lutar, em batalhar. Isso não é ruim, negativo
tampouco maléfico. A questão é como
lutar, por que e para qual finalidade fazê-lo. A maneira
que se direciona e exerce a luta é que pode ser desfavorável.
Por isso, ligar a espadas uma visão tosca de medo
ou mesmo preconceito não ajuda ninguém a jogar
e estudar Tarô. Afinal julgar é uma das práticas
mais infelizes quando se deseja conhecer o Tarô a
fundo.
Por isso, no naipe de espadas teremos mais uma parte do
todo que se apresenta no Tarô: o elemento ar, a busca,
a luta, a ação, o fazer, o planejar e correr
atrás do que se quer. Sem espadas, dificilmente seria
possível a realização. Tudo depende
da maneira escolhida, da flexibilidade, da postura, da visão
e adaptação de quem segura e maneja sua espada.
Luta pode haver, sempre haverá. Mas a qualidade de
um lutador e suas responsabilidades mudam e variam de acordo
com sua experiência e sabedoria.
No momento em que estamos dispostos a encarar a vida e seus
desafios em busca do que almejamos estamos numa vibração
do naipe de espadas. E isso nem sempre é ruim. O
que nos parece terrível é ter que encarar
algumas responsabilidades e aceitar que nem todos os resultados
são como esperávamos. O aprendizado maior
está (e sempre estará) em sabermos entender
que, além de nós existem outras pessoas, a
Vida, o Universo, a Natureza… e nem tudo pode, sempre,
seguir nossos anseios. O que está fora de nós
também vive e precisa ser respeitado.
Assim, em parceira com o destino, lutar talvez seja uma
das atividades mais prazerosas e vitais. Estarmos atentos
para reavaliar os caminhos, continuarmos em frente, certamente
será a prova de que esse naipe não é
a pior coisa que pode ocorrer, mas sim, um dos melhores
desafios que podemos experimentar durante nossa existência.
Por Kelma Mazziero
(Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American
Tarot Association; CRT 31440
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