Do pouco que se sabe sobre Arcanos
Menores o mais usual é que eles representam os 4
elementos (água, terra, ar e fogo), são semelhantes
visualmente ao baralho comum (com o acréscimo de
4 cartas) e que tratam de assuntos específicos ou
direcionados. Mesmo assim, é muito difícil
encontrar material sobre o conjunto de cartas ou sobre os
Naipes. O assunto ainda é restrito em nosso País.
As informações mais importantes sobre os naipes
ainda não estão bem difundidas, pois o interesse
da maior parte das pessoas se encontra nos Arcanos Maiores,
mais conhecidos pelos seus nomes e símbolos. Porém,
nos Arcanos Menores é que se encontram a praticidade
e o direcionamento, fazendo deles um estudo extremamente
interessante e complementar dentro do Tarô.
Um dos naipes que gera maior curiosidade é Copas,
pois na maioria das vezes reporta o pensamento para o amor.
O que não se sabe é que com essas cartas de
copas podemos jogar Tarô sobre qualquer outro tema,
não apenas assuntos ligados aos relacionamentos (estes
vistos como ponte para questões amorosas e afetivas).
Copas representa a mesma vibração do sentimento.
Isso significa que, independente do tema em questão,
identifica um momento inspirador, mas pouco concreto, assim
como o sentimento em sua essência. Da mesma forma
que sentimos algo verdadeiro e não conseguimos alterar,
copas traz ao momento esse mesmo aspecto de pouca solidez
e muita idealização.
A interpretação de cada carta depende da união
do número + naipe. Em Copas, como tratamos do elemento
água, naturalmente imaginamos o sentimento atrelado
a alguma pessoa ou a falta de alguém em nossas vidas.
O que não pensamos é que o amor independe
de estado civil, e copas mostra essa parte intocável
do sentimento, o momento em que a coisa/situação
existem, mas não estão passíveis de
mudança ou mesmo experimentação prática,
apenas existem internamente e não mudam conforme
nossa vontade.
Por isso Copas nos remete ao momento da perfeição
do sentimento e da ausência total de concretização,
independente do assunto a ser tratado. Muitos confundem
sentimento com relacionamento e por isso acabam colocando
em Copas todas as expectativas e suposições,
desconhecendo a diferença que existe entre o sentir
- fazer - viver - concretizar. Também não
é preciso separar as cartas de copas para jogar sobre
afetividade. Devemos sempre utilizar todo o Tarô a
fim de buscarmos as informações mais precisas
e completas que estiverem ao nosso alcance, assim poderemos
analisar em que etapa afetiva vivemos, não apenas
separar na parte sentimental um relacionamento que engloba
convívio, construção, entendimento,
projeção e outros aspectos não determinados
unicamente nesse naipe.
O hábito de não utilizar os Arcanos Menores
do Tarô deve ser abolido justamente por separar cartas
importantes de uma interpretação que, poderia
ser mais completa, caso tivéssemos as 78 cartas à
mão. Para evitarmos esse equívoco contínuo,
é importante que comecemos por nós mesmos
esse movimento de uso e difusão das cartas em sua
totalidade, caso contrário, estaremos fadados às
repetições parciais de apenas utilizar 22
cartas de um baralho composto por 78.
Por Kelma Mazziero
(Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American
Tarot Association; CRT 31440
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