Em alguns momentos da vida é
importante sabermos ser imparciais e frios. Isso não
quer dizer cruéis ou maldosos, mas reflete em isolamento
dos nossos sentimentos de maneira que consigamos analisar
a situação por inteiro, conscientes e mantendo
a sanidade mental. Não adianta nos envolvermos emocionalmente
com tudo e todos ao nosso redor. Muitas vezes a emoção
impede que seja feita a coisa certa, que sejamos justos,
que sejamos honestos. Nem sempre beijar, acariciar e aceitar
tudo que vem dos outros é sinal de amor. Eventualmente
precisamos fazer o que deve ser feito, não o que
gostaríamos de fazer ou o que os outros querem que
seja feito.
O interessante é perceber que na convivência
, no dia a dia, as pessoas criticam e condenam quem se mostra
imparcial . Os bons observadores ( consequentemente os mais
criticados) dificilmente se envolvem instantaneamente com
as pessoas e situações, o que os torna muito
mais cientes e perceptivos. Temos a nítida sensação
de que ser consciente e justo é ser maldoso ou cruel.
Pensamos que fazer o bem é somente aceitar e não
questionar. Acreditamos que “engolir sapos”
deve nos fazer criaturas melhores e acabam por nos garantir
o passaporte da felicidade eterna após a morte .
Não é bem assim.
Quantas vezes nos vemos obrigados a tomar atitudes firmes
e fortes para o nosso próprio bem e das pessoas que
amamos? Quantas vezes necessitamos afastamento para evitar
desgaste de relacionamentos ? Quantas vezes é preciso
ser severo com quem amamos para que a pessoa compreenda
os seus ( os nossos) limites? Para isso não existe
outra alternativa senão a frieza, a ausência
de sentimentos, uma pausa de envolvimento para que possamos
agir com impecabilidade e não fingir ou falsificar
para termos ( e mantermos) a fama de bonzinhos. Citamos
tanto a “Justiça Divina” e não
percebemos que a Justiça da qual falamos nem sempre
acata e aceita o que queremos, mas responde igualmente e
na mesma medida o que perguntamos ou agimos. Não
é boa, nem má . É a personificação
do ajustamento.
Assim, é preciso discernir claramente para não
acreditarmos que ser “bonzinhos” significa ser
“bobinhos”. De nada adianta fazer o “bem”
( ou achar que faz o bem) aos outros e destruir a si próprio.
Relação e convivência são vias
de mão dupla, por isso, se uma das partes sofre ou
se encontra desconfortável é sinal de que
algo está errado.
Sendo assim é preciso modificar alguns conceitos
que temos sobre a Justiça para que não fiquemos
perdidos nas horas que mais precisamos de equilíbrio.
O conceito de que não sentir é algo ruim e
trágico , a longo prazo, traz muito sofrimento. Mais
importante ainda é saber que ser justo é fazer
o que deve ser feito, não o que querem que a gente
faça . Afinal, nem sempre o mais sincero dos homens
é o politicamente correto.
( Baseado no Arcano 8, a Justiça)
Por Kelma Mazziero
(Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American
Tarot Association; CRT 31440
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