Artigo Tarô | Escrito por Kelma Mazziero
“ Seja justo consigo: envolvimento nem sempre é a melhor solução”

Em alguns momentos da vida é importante sabermos ser imparciais e frios. Isso não quer dizer cruéis ou maldosos, mas reflete em isolamento dos nossos sentimentos de maneira que consigamos analisar a situação por inteiro, conscientes e mantendo a sanidade mental. Não adianta nos envolvermos emocionalmente com tudo e todos ao nosso redor. Muitas vezes a emoção impede que seja feita a coisa certa, que sejamos justos, que sejamos honestos. Nem sempre beijar, acariciar e aceitar tudo que vem dos outros é sinal de amor. Eventualmente precisamos fazer o que deve ser feito, não o que gostaríamos de fazer ou o que os outros querem que seja feito.

O interessante é perceber que na convivência , no dia a dia, as pessoas criticam e condenam quem se mostra imparcial . Os bons observadores ( consequentemente os mais criticados) dificilmente se envolvem instantaneamente com as pessoas e situações, o que os torna muito mais cientes e perceptivos. Temos a nítida sensação de que ser consciente e justo é ser maldoso ou cruel. Pensamos que fazer o bem é somente aceitar e não questionar. Acreditamos que “engolir sapos” deve nos fazer criaturas melhores e acabam por nos garantir o passaporte da felicidade eterna após a morte . Não é bem assim.

Quantas vezes nos vemos obrigados a tomar atitudes firmes e fortes para o nosso próprio bem e das pessoas que amamos? Quantas vezes necessitamos afastamento para evitar desgaste de relacionamentos ? Quantas vezes é preciso ser severo com quem amamos para que a pessoa compreenda os seus ( os nossos) limites? Para isso não existe outra alternativa senão a frieza, a ausência de sentimentos, uma pausa de envolvimento para que possamos agir com impecabilidade e não fingir ou falsificar para termos ( e mantermos) a fama de bonzinhos. Citamos tanto a “Justiça Divina” e não percebemos que a Justiça da qual falamos nem sempre acata e aceita o que queremos, mas responde igualmente e na mesma medida o que perguntamos ou agimos. Não é boa, nem má . É a personificação do ajustamento.

Assim, é preciso discernir claramente para não acreditarmos que ser “bonzinhos” significa ser “bobinhos”. De nada adianta fazer o “bem” ( ou achar que faz o bem) aos outros e destruir a si próprio. Relação e convivência são vias de mão dupla, por isso, se uma das partes sofre ou se encontra desconfortável é sinal de que algo está errado.

Sendo assim é preciso modificar alguns conceitos que temos sobre a Justiça para que não fiquemos perdidos nas horas que mais precisamos de equilíbrio. O conceito de que não sentir é algo ruim e trágico , a longo prazo, traz muito sofrimento. Mais importante ainda é saber que ser justo é fazer o que deve ser feito, não o que querem que a gente faça . Afinal, nem sempre o mais sincero dos homens é o politicamente correto.

( Baseado no Arcano 8, a Justiça)

Por Kelma Mazziero (Taróloga e Terapeuta)
Membro do ITS (International Tarot Society);
Taróloga Profissional reconhecida pelo ATA - American Tarot Association; CRT 31440